Olhar de poeta na Contemporaneidade

Denise Hellena

Desde o início da civilização os poetas estão presentes. Tais escritores deste gênero foram imortalizados ao embalarem lindas canções ou mesmo retratarem grandes acontecimentos da história de sua nação, como o português Luis Vaz de Camões, em “Os Lusíadas’. Ou por registrarem as relações humanas, como fez magistralmente Shakespeare, dramaturgo e poeta inglês. Em Romeu e Julieta desenhou a personificação do amor frustrado. Otelo, o protótipo do ciumento. Mercador de Veneza, o usuário materialista por excelência. MacBeth, o resumo da ambição e do remorso.

Em nosso país, a poesia teve grande sucesso até o século XX. E deixando a sua marca indelével temos o grande Carlos Drummond, um dos principais poetas da segunda geração do “Modernismo Brasileiro”. O mineiro atravessaria boa parte do século XX produzindo poesia, crônica para os jornais e marcando, sobretudo com sua obra, todas as gerações posteriores da literatura produzida no Brasil.

Falar sobre a importância da poesia na história e nos dias de hoje pode explicar como ela funciona dentro de cada um de nós. E perceber a mesma “desmergulhar” na coluna do nosso editor-chefe Guilhermo Codazzi, no blog Direto da Redação, em post “Achados e Perdidos” definitivamente me fez deparar com esta reflexão.

Segundo um artigo publicado no site The Atlantic, em um mundo em que temas que instiguem o pensamento crítico/reflexivo são condenados, a poesia acaba perdendo cada vez mais espaço nas instituições de ensino. Porém, é essencial que os professores incluam o gênero literatura poético no universo escolar.

Congresso Internacional do Medo
por Carlos Drummond de Andrade

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas

Soneto 116
por William Shakespeare
Tradução de Bárbara Heliodora

De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma, para a eternidade.
Se isto é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.

VÍDEO-POEMA “GRIMÓRIO”
Poema “GRIMÓRIO” do livro EXÓRDIOS: A ORIGEM DO SILÊNCIO, de DIEGO SANT’ANNA

Interpretação por LEON SAVOIA
Edição por LEON SAVOIA

Sobre Diego Sant’Anna:
Autor Joseense de “As saga Mortalitas”, com reconhecimento internacional. Formado em Letras e Especialista em Filosofia Moderna e Poética pela USP.

5 ideias sobre “Olhar de poeta na Contemporaneidade

  1. A poesia e a música se completam …Em breve vamos buscar os caminhos pra chegar a música mais perto dela….a vida nos faz escravo …só estou esperando o tempi certo pra largar um pouco suas adversidades pra ficar por conta e voltar a compor …e vc é á parceira …parabéns por mais essa conquista e fique certa que o talento de uma pessoa é algo tem que ser mostrado sempre, pra que as outras possam cuirtir e reconhecer. (pensando bem tenho que mostrar os meus… kkkkkk) Bjo EDUARDO BONOMELLI BORGES

    • Por mais que você tente, a poesia estará sempre presente em cada passo que vc der. A sua obra é de arte!!! amos postar poemas seus?

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